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Mensagem Caio Yugo Akinaga

Olá , sou Caio Yugo Akinaga, tenho 17 anos.
Moro em São Paulo, Brasil.
Nesse ano,2015, tive a grande oportunidade de ir ao Japão. Com a ajuda do senhor Kato pude não somente visitar mas também "viver" o Japão. Durante a minha estadia permaneci em 3 famílias diferentes japonesas em um esquema muito similar ao intercâmbio( mais ou menos 1 semana em cada casa). Fio sensacional, ver o dia a dia das pessoas, seus hábitos e costumes. Para mim, isso foi muito divertido e aprendi muito, ainda, senhor Kato mantinha contato comigo para qualquer eventualidade, muito gentil de sua parte. Outra coisa que me impressionou foi a hippo family club. Todos os membros das famílias que eu fiquei faziam parte dessa organização. Ela tem como objetivo a conectar os japoneses com o mundo. Disso, atividades e encontros são constantes. Participei deles, foram muito divertidos. Essa experiência só foi capaz com a ajuda do Kato, gostaria muito de agradecê - lo do fundo do coração, muito obrigado.

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Desenho da Buntatin

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JANELA DA ARTE CALIGRAFICA
JAPONESA

Museu Para Acalmar

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Leilão Japan.PC

 

As Circunstâncias em torno da Campanha LARA e o Jardim de Repouso São Francisco “Ikoi-no-Sono” 

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O Sr. Yoshinori Kato, em suas palavras de saudação, menciona um episódio que se tornou um dos motivos que o levaram a criar a organização não-governamental (ONG) TRABRAS. Trata-se de doações feitas pelos japoneses residentes no exterior, também conhecidas pelo nome de “doações da campanha LARA”. Gostaria de aproveitar este espaço para relatar a respeito desse episódio sob a perspectiva de quem enviou essas doações, a partir do Brasil, conforme uma pesquisa que fiz acerca das circunstâncias que envolveram essa campanha.

 A chamada “Campanha de Doações da LARA” teve início já em 1946, logo após o término da Segunda Guerra Mundial, quando a população “nikkei”, principalmente aqueles residentes em São Francisco (EUA), se uniu e organizou a “Associação de Socorro aos Conterrâneos Vítimas da Guerra” com o objetivo de desenvolver uma campanha para ajudar os patrícios que se encontravam na penúria e no caos do período pós-guerra do Japão, enviando-lhes donativos. 

 sigla LARA provém do nome: Licensed Agencies for Relief in Asia.

 Eu, pessoalmente, também fui um dos beneficiários da Campanha LARA na época pós-guerra em Tóquio, então uma cidade queimada e deserta. Ainda me lembro claramente, nem poderei esquecer-me, do gosto “exótico-gringo” de um pedaço de pão com manteiga que recebi depois de ter ficado um tempão na fila de espera. Permanece vivo na minha memória, já estudante colegial sob novo sistema educacional, o orgulho com que usava o casaco feito de tecido “tweed importado” azul anil e preto que ganhei no sorteio de distribuição de roupas.

 O movimento da Associação de Socorro aos Conterrâneos Vítimas da Guerra cresceu depois, expandiu-se dos Estados Unidos para o Canadá e se espalhou por todo o continente americano, do norte ao sul, envolvendo o México, o Brasil, assim como o Chile, a Argentina e o Peru.

 No Brasil, foi em março de 1947 que os voluntários se reuniram em São Paulo, na residência de Chibata Miyakoshi, para fundar a “Associação de Socorro” (Kyuenkai) e essa campanha durou até setembro de 1950.

Miyakoshi era diplomata, mas foi convidado para trabalhar na empresa de fomento à emigração, Kaigai Kogyo Kabushiki Kaisha (Companhia Ultramarina de Desenvolvimento S.A.) e atuou como gerente-geral de sua filial em São Paulo. Quando deflagrou a guerra e quase todos os funcionários graduados do governo japonês retornaram ao Japão, Miyakoshi foi o único que permaneceu no Brasil.

 Por trás da adesão a essa campanha havia um cenário peculiar do Brasil daquela época, caracterizada pela presença de muitas pessoas da comunidade japonesa que não queriam acreditar na derrota do Japão e que ficaram conhecidas como adeptos do chamado Grupo dos Vitoriosos (Kachigumi). O movimento de esclarecimento sobre a derrota do Japão tencionava convencer, de certa forma, os líderes do Grupo Kachigumi , impregnados de idéias nacionalistas, sobre esse fato através de atos que pudessem ser úteis para a pátria distante.

 A sede da associação foi colocada no Rio de Janeiro, então capital do Brasil, mas a maioria de suas ações foi desenvolvida em São Paulo sob a coordenação do seu secretário-geral, Washizo Sugayama, que contou com a colaboração de voluntários entre os quais se destacava a figura de Dona Margarida Tomi Watanabe (1900-1996), de quem gostaria de falar depois. 

Conta-se que as doações provenientes de São Paulo e demais estados do Brasil eram reunidas, ou no salão da Associação Beneficente Feminina Esperança (Esperança Fujinkai), ou na residência de Dona Margarida, onde eram empacotadas e então enviadas para os Estados Unidos. Naquela época, as relações diplomáticas entre o Brasil e o Japão ainda estavam interrompidas, de modo que todas as doações da LARA eram encaminhadas  para os Estados Unidos para, depois, serem despachadas rumo ao Japão.

 Dona Margarida Watanabe dedicou toda a sua vida em prol das atividades da associação chamada “Kyusaikai” ou Assistência Social Dom José Gaspar, desde o início da deflagração da Segunda Grande Guerra, bem antes de se engajar na campanha de envio das doações da LARA. Takashi Maeyama, autor de sua biografia “Dona Margarida Watanabe”, escreve o seguinte em seu prefácio:

          『 Em 1912, uma menina de 11 anos , nascida e criada em uma cidade que vivia da pesca do katsuo (peixe bonito), no extremo sul da ilha de Kyushu, que por sua vez também se situa no sul do Japão, imigrou sozinha para o Brasil, com a intenção de trabalhar para pagar as dívidas do pai, que havia falido.  Enquanto travalhava como doméstica para uma família brasileira e enviava à terra natal as economias de seu trabalho, aprendeu a socorrer os necessitados e a propagar o catolicismo entre os nikkeis.  Depois de se casar e ter seu terceiro filho, viu muitos imigrantes serem presos e milhares de japoneses receberem a ordem de evacuação compulsória em decorrência do início da guerra entre o Japão e os Estados Unidos.  Margarida Vatanabe, a ainda jovem dona da casa, lançou-se em socorro dos imigrantes que repetinamente se viram destruídos de seus bens.  Dedicou-se durante toda a vida à atividade de ajuda aos mesmos  e, mais tarde, aos idosos, ainda que angustiada por ter de se dividir entre os afazeres domésticos e a atividade assistencial.

  O amparo que Margarida ofereceu através das entidades Katorikku Nihonjin Kyusaikai, Shakai Fukushi Hojin Kyusaikai e Nikkei Rojin Homu Ikoi-no-Sono baseou-se na amizade e nos recursos de seus semelhantes.   A estrutura dessas organizações foi construiída através de conexões pessoais, por meio de entidades privadas, tais como associações japonesas, de senhoras de imigrantes e de senhoras catóricas.   É um modelo similar ao das atividades desenvolvidas hoje em dia por voluntários e organizaçõesnão governamentais, uma assistência social colocada em prática por uma dona de casa, mãe e, dopois, viuva.  O caminho trilhado pela menina dekassegui por mais de 80 anos, desde que deixou o Japão, é extremamente singular, próprio de uma imigrante, mas ao mesmo tempo tem uma marca bem brasileira .  Por isso é humano, é original e é belo.  Pode-se dizer que a vida dessa imigrante, por si só, é uma “obra-prima” de que os nikkeis do Brasil podem se orgulhar.  ( ・・・ )

Estou atualmente participando da administração, como membro da Diretoria, dessa associação, a Assistência Social Dom José Gaspar ou “Kyusaikai”, criada pela Dona Margarida e demais voluntários da época, como Chibata Miyakoshi e Washizo Sugayama que mencionei acima.  

  O que me chamou a atenção ao escrever este artigo são os pontos comuns que deparei nas atividades da Kyusaikai em sua fase inicial e nas atividades da ONG TRABRAS.

  O número de trabalhadores nipo-brasileiros que se encontram no Japão, chamados de “dekasseguis”, inicialmente tido como 300.000 e agora, com o aumento dos que retornam ao Brasil por causa da recessão econômica do Japão, passou a ser de 230.000 ou 240.000. Mesmo assim, é um número que equivale ao contingente de imigrantes japoneses que chegaram ao Brasil no período anterior à Segunda Grande Guerra, ou seja, os 250.000 “antepassados” dos nipo-brasileiros. Ainda por cima, o fato de os atuais “dekasseguis” mostrarem a tendência cada vez mais forte de se fixar definitivamente no Japão mostra que o fenômeno deixou de ser um mero movimento de “dekassegui” temporário, mas um processo de formação da comunidade nipo-brasileira dentro do Japão. A ONG TRABRÁS, que dá assistência aos necessitados dessa nova comunidade de imigrantes, desenvolve exatamente a mesma atividade que a “Kyusaikai” desenvolveu, nos tempos de guerra entre o Japão e os Estados Unidos, junto aos imigrantes japoneses necessitados.

 A Assistência Dom José Gaspar ou Kyusaikai fundou, em 1958, o Jardim de Repouso São Francisco, o “Ikoi no Sono” num terreno bem amplo, de 10 alqueires (250.000 km2), doado pela Ordem dos Franciscanos da Igreja Católica. 

Logo a seguir, com a fundação da Beneficência Nipo-Brasileira (Enkyo), que contou com o auxílio financeiro do governo japonês, a parte de assistência social foi entregue à Beneficência Nipo-Brasileira,  e a Kyusaikai  passou a se dedicar exclusivamente à assistência aos idosos.

 Atualmente, o Jardim de Repouso “Ikoi-no-Sono” abriga cerca de 90 idosos, quase todos dependentes de cuidados permanentes. Por isso mesmo, o número de funcionários, incluindo o pessoal administrativo, são em 105, superando o número dos idosos internados.

 

  

ANÁLISE  EXPLICATIVA  DA  SITUAÇÃO  DO  IKOI NO SONO

                   

Linha Vermelha  :  Número de Sócios Contribuintes. 

Linha Azul           :  Número de Idosos Internos.

Linha Verde        :  Número de Funcionários.    


Faixa Cor de Rosa :  Despesa Total Anual.

                  ( Em 2008, o total foi R$226.925,23 , equivalendo a 551,63 SMSalários Mínimos.) 

Faixa Verde Claro :  Valor Total custeado pelos Internos.

                  (Em 2008, foi 224,44 SM., equivalendo a 40,69% da Desp. T. Anual.)

Faixa Azul Claro  :  Valor Total da Contribuição dos Sócios.

                  ( Em 2008, foi 85,24 SM., equivalendo a 15,45% da Desp. T. Anual.)

A faixa Cor de Rosa indica,portanto, o Déficit na Cobertura das Despesas.

               ( A diferença entre o total das despesas e a parte custeada pelos próprios Internos e pela contribuição dos Sócios ficou em 43,83% do total, e esse déficit está sendo coberto por doações e resultados obtidos em eventos e bazares beneficentes.)


 


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Cronologia:

➀  1953   Início das atividades da Kyusaikai.

➁  1958   Inauguração do Ikoi no Sono.

➂  1967     Conclusão das Obras da 1ª. Ampliação.                   

➃  1970     Mudança da Sede para Rua Cons. Furtado.

➄  1974     Criação da Comissão de Voluntários.

➅  1975     Mudança da Sede para Rua São Joaquim(atual)  

➆  1978     Conclusão das Obras da 2ª. Ampliação. 

 1978   70º. Aniversário da Imigração Japonesa.

➈  1984     Início do fenômeno “DEKASSEGUI”.

➉  1986     Início da Inflação.

⑪  1988     80º. Aniversário da Imigração Japonesa.

⑫  1990     Conclusão das obras da 3ª. Ampliação.

⑬  1994     Fim do Processo Inflacionário.

⑭  1998     90º. Aniversário da Imigração Japonesa.              

⑮  2004     Publicação da biografia de Dona Margarida em português. 

⑯  2006     10º. Aniversário da Assoc. dos Sócios no Japão.

⑰  2008     Centenário da Imigração Japonesa.

⑱  2008   Cinquentenário do Ikoi no Sono


 

  Como se pode observar no gráfico acima, o número de associados que davam apoio financeiro desde os tempos de sua fundação e que chegou a registrar 8244 associados em 1986, vem decrescendo em função da diminuição do número de associados “isseis” ou do fenômeno “dekassegui”, ou por influência da inflação.

 

O motivo que me levou a escrever este artigo não é para chamar atenção sobre as dificuldades pelas quais o “Ikoi no Sono” da Kyusaikai está passando. Queria apenas que a população nikkei residente no Japão que acessar o site da ONG TRABRAS tomasse conhecimento de uma fase da história da imigração japonesa no Brasil vivida pelos pioneiros, assim como manifestar o meu apoio e a torcida, aos membros da ONG TRABRAS que desenvolvem atividades similares àquelas realizadas pelos primeiros japoneses no Brasil. 

 

 

Yasuhiro Aida

 

 

Perfil do Autor

Residente em São Paulo desde 1957.

Formado em Arquitetura pela Universidade Waseda.

 1º. Prêmio do Concurso Internacional dos Estudantes de arquitetura da II Bienal  de São Paulo (participação no projeto da Faculdade de Arquitetura da Universidade Waseda – 1953)

Sócio-fundador do escritório de arquitetura Equipe Quatro.

 1º. Vice-Presidente da Assistência Social Dom José Gaspar.

Presidente da “Tomonkai do Brasil” (Associação de Ex-Alunos da Universidade Waseda no Brasil).

(Tradução de Yuko TPA)

 


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